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Título : Self modifying shellcode
Data : 26/09/2021
            

Um dia desses tive a necessidade de escrever um shellcode que não tivesse nenhuma das instruções utilizadas para fazer uma syscall (int, syscall e sysenter). A solução? Criar um código que não tivesse essas instruções originalmente. Um shellcode que se auto modificava.

Não tenho o challenge original em mãos, então criaremos um programa para exemplificar. É um código porco escrito por alguém que não sabe linguagem C, mas seu objetivo é simples: ler um shellcode e executa-lo:

Compile no diretório de sua preferência da seguinte forma: gcc -fno-stack-protector -z execstack shellcode_reader.c -o shellcode_reader porque precisaremos executar código que estará na stack.

Agora faremos um shellcode que não se modifica em tempo de execução. Comecei a usar o pwntools para tudo relacionado a pwn, inclusive escrever e montar shellcodes, então aqui vai meu python que escreve o shellcode num arquivo chamado pwn no diretório atual:

O assembly é simples. Boto para RDI o endereço do nome do programa que quero que a syscall execve execute, que é um binário chamado ‘c’ que está no diretório atual, zero RSI e RDX que são parâmetros adicionais de execve que não me interessam, jogo 59 para rax, que é o código de execve, e executo a instrução syscall.

Para servir como exemplo, pegue o seguinte código em C, compile normalmente e o chame de ‘c’ (gcc c.c -o c) no diretório em que rodaremos o programa em C que executa o shellcode:

Na época esse meu binário ‘c’ executava o que eu queria. Fiz isso porque precisava burlar alguns outros detalhes que não interessam. No exemplo, ele imprimirá a mensagem ‘pwned’.

Depois de executar o python que monta o shellcode no arquivo pwn, execute o comando: cat pwn | ./shellcode_reader para executar no programinha o shellcode gerado.

b@skynet ~> cat pwn | ./shellcode_reader
pwned

Hora de alterar o código C para inserir um filtro. Ele checará se o shellcode contém a sequência de bytes que representa a instrução syscall: ‘050f’. O shellcode anteriormente gerado contém esses bytes e você pode conferir, rodando o comando ‘hexdump pwn’.

b@skynet ~> hexdump pwn
0000000 8d48 0f3d 0000 4800 f631 3148 48d2 c0c7
0000010 003b 0000 050f 0063
0000017

O código do programa que filtra é o seguinte:

Compile novamente com a instrução gcc -fno-stack-protector -z execstack shellcode_reader.c -o shellcode_reader e tente executa-lo passando via pipe o shellcode de pwn como fizemos antes:

b@skynet ~> cat pwn | ./shellcode_reader Syscall detected!

Nada de execução do nosso código. E agora? Uma solução simples é a alteração do nosso shellcode on the fly. Alterei o assembly do meu script python para fazer isso:

Onde está a mágica? Faço o uso de um label chamado ‘syscall’ para poder fazer referência a esse pedaço de memória. Nessa área, escrevo dois bytes, 0x13 e 0x37. Bytes inofensivos. O segredo está nas primeiras instruções do código que, usando mov, alteram esses inofensivos bytes para 0x0f e 0x05, os bytes que representam a instrução syscall.

Rodamos para gerar um novo arquivo pwn e ao executar novamente o shellcode_reader temos o resultado:

b@skynet ~> cat pwn | ./shellcode_reader
pwned

O código, sem a instrução syscall, executou a instrução syscall. Mágico, não? Aí você pergunta, qual a utilidade disso? Por que eu li isso até aqui? Várias ou nenhuma. Depende da sua mente criminosa.